(Source: thekhooll, via mi-psicodelia)
(Source: imnotwordy)
Nada sou, nada posso, nada sigo.
Trago, por ilusão, meu ser comigo.
Não compreendo compreender, nem sei
Se hei de ser, sendo nada, o que serei.
Fora disto, que é nada, sob o azul
Do lato céu um vento vão do sul
Acorda-me e estremece no verdor.
Ter razão, ter vitória, ter amor
Murcharam na haste morta da ilusão.
Sonhar é nada e não saber é vão.
Dorme na sombra, incerto coração.
O silêncio é uma forma de bater na porta do salão da verdade. Tudo que é belo e verdadeiro nasce do silêncio. Ele é a base que prepara para qualquer prática; É o alicerce do edifício da consciência.
A mania de perfeição é você correndo atrás de você mesmo o tempo todo. É o cachorrinho correndo atrás do próprio rabo, essa é a mania de perfeição. É você querendo se tornar alguma coisa diferente, especial. Claro que a base disso é a sua carência, porque você acredita que se você conseguir atingir tal meta, você vai receber atenção, amor, reconhecimento, etc. Mas eu vou lhe dizer que o máximo que você pode conseguir é uma depressão, o máximo que você pode conseguir é uma dor de cabeça, o máximo que você pode conseguir são doses cavalares de sofrimento.
Nós somos o que nós perdemos.
Meu amor perdido, não te choro mais, que eu não te perdi! Muito é ausência, nada é perda! Reunir-me-ei em vida e morte Ah, comandante, quanto tarda ainda Som do erguer do ferro, meu estertor [Toque de vigias, suspiros do porto?] Lenços a acenarem-me do cais em que ficam…
Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)
Porque posso perder-te na rua, mas não posso perder-te no ser,
Que o ser é o mesmo em ti e em mim.
Todos os mortos — gente, dias, desejos,
Amores, ódios, dores, alegrias —
Todos estão apenas em outro continente…
Chegará a vez de eu partir e ir vê-los.
De se reunir a família e os amantes e os amigos
Em abstrato, em real, em perfeito
Em definitivo e divino.
Aos sonhos que não realizei
Darei os beijos nunca dados,
Receberei os sorrisos, que me negaram,
Terei em forma de alegria as dores que tive…
A partida do transatlântico?
Faz tocar a banda de bordo —
Músicas alegres, banais, humanas, como a vida —
Faz partir, que eu quero partir…
Quando é que por fim eu te ouvirei?
Fremir do costado pela pulsação das máquinas —
Meu coração no bater final convulso —,
Até mais tarde, até quando vierdes, até sempre!
Até o eterno em alegre Agora.
(Source: fernandopessoas)